Comenda Patativa do Assaré: Secult Ceará divulga lista dos agraciados

31 de outubro de 2023 - 18:53 #

A Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará) divulga os agraciados com a Comenda Patativa do Assaré 2022. São eles: Mestra Dina Martins, de Canindé; Alemberg Quindins, de Nova Olinda; Dim Brinquedim, de Pindoretama; Mestra Ana (Ana Maria da Conceição), de Tianguá; e Carlos Gomide (Babau), de Juazeiro do Norte.

Esta é a quarta vez que o Governo do Ceará, por meio da Secult, promove a Comenda Patativa do Assaré, que reconhece personalidades, artistas, poetas, cantadores e pesquisadores(as) que se destacaram por suas relevantes contribuições à Cultura Popular Tradicional no Estado do Ceará. A condecoração é dada a pessoas que se relacionam com uma ou mais linguagens artísticas (música, teatro, dança, circo, literatura, cultura alimentar, artes visuais, humor, moda, expressões culturais afro-brasileiras e indígenas, dentre outras) e/ou a cultura tradicional popular (reisados, lapinhas, caretas e bois, entre outras). 

As indicações de nomes de poetas, repentistas, escritores(as), compositores(as), artistas, mestres(as) e pesquisadores(as) que contribuíram (in memorian) ou contribuem com a valorização da cultura tradicional cearense, foram realizadas de forma online, em 2022, por meio de edital divulgado pela Secult Ceará. 

A Comenda Patativa do Assaré 

A Comenda Patativa do Assaré foi instituída pela Lei Estadual nº16.511 de 12.03.2018, reafirmada pelo Código Estadual do Patrimônio Cultural, que visa promover o reconhecimento de pesquisadores, artistas, poetas e cantores populares e tradicionais que, assim como fez o grande poeta popular Patativa do Assaré, por meio de sua obra ou atuação, levam adiante os saberes e os fazeres da cultura popular tradicional. É uma comenda que, ao mesmo tempo em que valoriza a obra e a memória do grande poeta, Patativa do Assaré, também reconhece o trabalho de pessoas que atuam na promoção da cultura popular no Ceará e no Brasil.

Como os agraciados são escolhidos

No momento de transição para a aplicação do código do Patrimônio, o Conselho Estadual de Política Cultural (CEPC) indicou uma comissão especial que escolheu os agraciados e esses nomes foram publicados em diário oficial.

Patativa do Assaré

Nascido em 5 de março de 1909, na Serra de Santana, no município de Assaré, Patativa do Assaré foi cantador, repentista, compositor e um dos maiores poetas populares do Brasil. Através de sua poesia, foi intérprete e porta-voz das tradições e valores do sertão e do povo excluído de seu tempo. Reconhecido internacionalmente, Patativa recebeu diversas premiações, homenagens e títulos, incluindo Doutor Honoris Causa de quatro Universidades.

Agraciados com a Comenda Patativa  do Assaré 2022

Mestra Dina Martins, de Canindé

Mestra Dina, é vaqueira e aboiadora. Fundou ainda nos anos 80, a Associação dos Vaqueiros, Aboiadores e Pequenos Criadores dos Sertões de Canindé, com mais de 260 vaqueiros. Presidiu a associação em 06 mandatos. 

Em 2005 foi reconhecida como Mestra da Cultura do Estado do Ceará e, em 2007, considerada a segunda mulher mais influente na cultura popular brasileira. Por sua dedicação a causa do homem sertanejo, iniciada com apenas 14 anos, é considerada por seus pares como a “Rainha dos Vaqueiros”. 

Sua vida já virou inspiração para filmes, cordéis, livros, matérias jornalísticas e um documentário para a TV Australiana. Tornou-se a maior incentivadora dos costumes e tradições do vaqueiro no Nordeste, seja através da Associação ou de sua luta individual. Articulou a aprovação da lei de nº 14.520, de 8 de dezembro de 2009, que incluiu a missa do vaqueiro em Canindé no calendário oficial de eventos do Ceará e a lei nº 14.625, de 26 de fevereiro de 2010, que institui o Dia do Vaqueiro no Estado, como o dia 22 de agosto.

Alemberg Quindins, de Nova Olinda

Francisco Alemberg de Souza Lima é diretor-fundador de um grande centro cultural para as crianças de Nova Olinda, no sertão do Ceará, a Fundação Casa Grande — Memorial do Homem Kariri (1992), que tem por intuito resgatar a memória do povo da região, o Vale do Cariri, e ser um centro de memória, e como missão ser um lugar de vivência em gestão cultural e social para crianças e jovens. 

Investigador do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património da Universidade de Coimbra, desde 2020, é também músico de formação popular, empreendedor social, escritor e artista plástico autodidata. Por sua atuação, recebeu comendas de Cavaleiro na Ordem do Mérito Cultural, pelo Ministério da Cultura do Brasil (2004), Medalha do Mérito da Farroupilha, pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul (2007), Comenda João Luiz Ramalho de Oliveira, pelo Sistema Fecomércio Ceará (2014), Medalha da Abolição pelo Governo do Estado do Ceará (2017), Título de Dr. Honoris Causa em Ciências Sociais, pela Universidade Regional do Cariri — URCA (2018) e Título de Notório Saber em Cultura Popular pela Universidade Federal do Ceará (2019).

Como consultor da Unicef participou da criação dos programas de rádio de criança para criança junto às rádios nacionais de Angola e Moçambique. Foi gerente de cultura do SESC Rio de Janeiro (2018) e atualmente é assessor de relações institucionais do SESC Ceará. É também professor do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Arqueologia Social Inclusiva pela URCA.

Dim Brinquedim, de Pindoretama 

A prática de confeccionar brinquedos começou para Dim Brinquedim, ainda na infância. Sua mãe era artesã e ele cooperava com os trabalhos dela, deste modo adquiriu grande habilidade manual e, a esta, somou o prazer de inventar. Dim reinventava brinquedos artesanais tradicionais que ganhava da avó, trazidos por ela das festas de padroeiros das cidades vizinhas a Camocim, Litoral Oeste do Ceará. 

Adolescente ainda, Dim já comercializava seus brinquedos. Com o passar dos anos, suas peças de inspiração na cultura popular se multiplicaram. Dim passou a ministrar cursos, inicialmente, para a pastoral da Criança de seu município e de municípios vizinhos, depois para escolas e para instituições culturais de diversas regiões do Brasil.

No decorrer dos anos seu trabalho de criação se multiplicou em telas, esculturas e brinquedos das mais diversas formas e tamanhos, que compõem praças públicas, áreas de convivência e acervos particulares e coleções de museus e Espaços Culturais como: o Museu de Folclore Edison Carneiro (RJ), o Museu Janete Costa de Arte Popular (RJ), a Casa Museu do Objeto Brasileiro (SP), o Centro Cultural Dragão do Mar (CE), o SESC (RJ), dentre outros. A maior coleção de obras de sua autoria se encontra no Museu Brinquedim, em Pindoretama, Ceará.

Mestra Ana (Ana Maria da Conceição), de Tianguá

Ana Maria da Conceição, mulher simples que através de seu esforço e de sua motivação consegue manter viva a tradição dos Dramas Cantados. Nascida e criada na Comunidade de Tucuns, no município de Tianguá, Dona Ana sempre conviveu com as brincadeiras e folguedos populares desde a infância, tendo na encenação dos Dramas, seu principal interesse. 

Foi diplomada Mestra, através do Edital dos “Tesouros Vivos da Cultura” do Estado do Ceará (2008), pela Secretaria da Cultura. Mestra Ana e seu grupo são reconhecidos como iniciativa exemplar do Brasil, na categoria de cultura popular, pelo Ministério da Cultura, através da Secretaria de Diversidade Cultural.

 

Carlos Gomide (Babau), de Juazeiro do Norte

Carlos Gomide é um artista educador. A sua trajetória perpassa por descrever a história da Carroça de Mamulengos, a companhia de arte e vida que Carlos criou, formou sua família e segue formando brincantes e criando junto aos mestres e mestras da cultura popular de todo o Brasil, mas principalmente de Juazeiro do Norte (Ceará).

As criações e o trabalho envolvidos na Barraca da União e na União dos Artistas em Juazeiro do Norte, cristalizou a Carroça de Mamulengos como um ponto de referência para os próprios artistas populares na região. Assim nascem gerações de palhaços, de artistas-pernas de pau, de mamulengueiros, circenses e brincantes que se espalham pelo Brasil, gratificados e gratos pela formação cujo cerne identificam nas vivências e convivências com a Carroça.

Da experiência coletiva passa a emanar uma nova fonte de cultura. A Carroça de Mamulengos, bebendo na tradição, a renova, tornando-se também tradição.