ARTIGO|| TODA MANEIRA DE AMAR, do Secretário Fabiano Piúba, publicado hoje (21/) no O POVO
21 de maio de 2021 - 13:06

TODA MANEIRA DE AMAR
O Povo, Fortaleza-CE: 21/05/2021
A natureza é diversa. A cultura é diversa. A educação é diversa. A raça humana é diversa. A vida é diversa. Deus é diverso. O amor é diverso.
E amar só existe com o respeito. Não estou falando de tolerância e sim de respeito. Mas não só de respeito, também de direitos. A nossa Constituição Federal tem como princípios a igualdade e a dignidade da pessoa humana.
O crime de LGBTfobia tem matado muitas pessoas no Brasil. Conforme relatório do Grupo Gay da Bahia, em 2019 foram 329 mortes violentas no país de pessoas identificadas como LGBTQIA+. Lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais, assexuais e outras variações de sexualidade e de gênero que são vítimas de crimes hediondos.
Chega de discriminação e de ódio. Não podemos naturalizar esse processo de violência e marginalização. Desde 17 de maio de 1990 a OMS (Organização Mundial da Saúde) deixou de considerar a homossexualidade como uma doença e a retirou da Classificação Internacional de Doenças – CID. Mas antes disso, também não era doença. Nunca foi. Trata-se de orientação sexual que tem a ver com desejo, atração, afeto, amor. Esta data de 17 de maio é tão simbólica que se tornou o Dia Internacional Contra a LGBTfobia.
Na verdade, a doença é o preconceito e triste da pessoa que não consegue compreender que “qualquer maneira de amar vale a pena”, como cantam Milton Nascimento e Caetano Veloso na canção que compuseram juntos e, com o tempo, tornou-se um hino de toda manifestação de amor e de afeto.
No mundo inteiro encontramos experiências em movimento, desde a luta pela ampliação da diversidade no mercado de trabalho dentro de empresas, indústrias, companhias, comércios e setores públicos, passando pelas manifestações artísticas e culturais, bem como nos processos educativos. Aliás, certo provérbio africano diz que só aprende quem respeita.
Respeito e amor passam pela cultura e educação. Procurei desde cedo ensinar isso para meus filhos. A arte e o amor só florescem onde há liberdade. Mais do que nunca, temos que combater o preconceito e os casos de crime de ódio. Então cantemos outro verso da mesma canção, “qualquer maneira de amor vale amar”. Valeu e valerá!
Fabiano dos Santos Piúba
Doutor em Educação. Mestre em História. Historiador, Professor e Escritor. Secretário da Cultura do Estado do Ceará.