Com apoio da Secult, II Mostra Indígena de Filmes Etnográficos do Ceará começa nesta sexta, 28/8

26 de abril de 2017 - 14:00

Foto: Filme As Hiper Mulheres.

 


A Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé apresenta a II Mostra Indígena de Filmes Etnográficos do Ceará. Contemplado no Edital de Apoio a Projetos Culturais de Demanda Espontânea 2016 da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), o evento acontece de 28 a 30 de abril, na Aldeia Lagoa Encantada, território da etnia Jenipapo-Kanindé, em Aquiraz/CE. Entre os destaques da programação, está o filme Martírio (2016), documentário de Vincent Carreli sobre os Guarani Kaiowa, no Mato Grosso do Sul. O filme convidado será exibido na noite de abertura da mostra. 

Além da mostra principal, a programação inclui oficinas, rodas de conversa, núcleos de vivência, apresentações culturais e mostras paralelas de filmes, como a Mostra Curumim, dedicada ao público infantil, e a Mostra Espiritualidade Feminina, voltada aos rituais das mulheres indígenas. O principal objetivo é proporcionar um intercâmbio cultural entre realizadores, pesquisadores e comunidades tradicionais. Com participação gratuita, a mostra é aberta ao público em geral e contará com a presença de diversas etnias indígenas do Ceará.

A primeira edição do evento aconteceu de 17 a 20 de dezembro de 2015 , através do XI Edital Ceará de Cinema e Vídeo, também da Secult, reunindo as etnias cearenses Tapeba, Tremembé, Anacé, Pitaguary e Jenipapo-Kanindé. O processo de curadoria e produção do evento é totalmente compartilhado com os membros da etnia. O evento pretende contribuir para a articulação entre comunidades indígenas no Ceará e dessas com outros agentes, fomentando a criação de redes de colaboração em cinema indígena e etnográfico.

Sobre os Jenipapo-Kanindé

Na aldeia Lagoa da Encantada, os Jenipapo-Kanindé de hoje habitam em um território demarcado por direito. A história e genealogia da etnia remontam a um período anterior à colonização do Ceará, afirmando sua presença e fluxo cultural em uma área que vai desde a costa, local em que se fundou a primeira capital do estado, Aquiraz, até o Sertão Central, herdando a cultura de seus ancestrais Payacús ou Pakajús. Guardiões legítimos da natureza de dunas, matas e lagoa onde vivem, próximo às praias do Iguape e Batoque, são exímios pescadores e agricultores, destacando-se também no artesanato de adereços e utensílios.

Uma das figuras mais expressivas da comunidade é a Cacique Pequena. Primeira mulher brasileira nomeada cacique, Pequena tomou lugar na liderança da comunidade por vários anos. Em 2012, o cacicado foi transferido para a filha, Juliana Alves (Cacique Irê). Hoje a etnia possui duas instâncias políticas, o Conselho Indígena Jenipapo-Kanindé e a Associação das Mulheres Indígenas Jenipapo-Kanindé. Ao lado dos Tapeba, Tremembé e Pitaguary, os Jenipapo-Kanindé despontaram nas primeiras lutas pelo direito à terra no Ceará.

O Toré, ritual de espiritualidade indígena manifestado em dança e cantos, é um dos elementos de cultura mais atuantes no sentido de fortalecer os laços de ancestralidade da comunidade, importante também para orientação e articulação política. Todo mês de abril, é celebrada a Festa do Marco Vivo, momento de reafirmação e intercâmbio de identidades indígenas. Além de escola diferenciada, pousada comunitária (Rede Tucum) e galpão de artesanato, a comunidade mantém o Cine Clube Aldeia e o Museu Indígena Jenipapo-Kanindé, promovendo sessões de cinema, exposições, visitas guiadas e formações interculturais.


Programação completa

1º DIA – SEXTA-FEIRA | 28/04/2017

18:00h – JANTAR

19:00h – ABERTURA: TORÉ

19:30h – ATO DE ABERTURA: “NENHUM DIREITO A MENOS”

Juliana Alves, Jenipapo-Kanindé (Cacique Irê)

– Cacique João Venâncio, Pajé Luis Caboclo e Cacique Pequena (Mestres Indígenas da Cultura Tradicional do Ceará), Eliane Alves Jenipapo-Kanindé (Presidente AMIJK), Fabiano dos Santos (Secretário de Cultura do Ceará), Philipi Bandeira (Curadoria II Mostra Indígena de Filmes), Sinval Diógenes (Produtor II Mostra Indígena).

20:00h – EXIBIÇÃO DE ABERTURA “MARTÍRIO” (Vincent Carelli, 146´, 2016, Doc – Guarani Kaiowa/MS)

2º DIA – SABADO | 29/04/2017

05:00h – ESPIRITUALIDADE NAS MATAS (Cacique Pequena)

08:00h – CAFÉ DA MANHÃ (Escola Indígena Jenipapo-Kanindé)

09:00h – RODA DE CONVERSA: CULTURA E IDENTIDADE INDÍGENA Cacique João Venâncio, Pajé Luis Caboclo e Cacique Pequena (Mestres Indígenas da Cultura Tradicional do Ceará).

Mediação: Juliana Alves – Cacique Irê

12:00h – ALMOÇO (Escola Indígena)

14:00h – MOSTRA CURUMIM (Escola Indígena Jenipapo-Kanindé)

Lançamento do livro infantil “O Segredo do Guajará”, de Henrique Didimo.

14:30h – Filmes infantis

– Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali (Charles Bicalho e Isael Maxakali, 13´, 2016, animação – Maxacali/MG);

– OsibaKangamuke – Vamos lá, criançada! (HayaKalapalo, TawanaKalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini de Carvalho, 20´, 2016, doc – Kalapalo/MT).

14:30h – RODA DE CONVERSA: Perspectivas de luta das mulheres indígenas, Juliana Alves (Cacique Irê) e convidados(as).

15:30h – MOSTRA PARALELA: “ÍNDIOS NO PODER”

– “Índios no Poder” (Rodrigo Arajeju, 20´, 2014, doc.)

– “Índio Cidadão” (Rodrigo Arajeju, 52´, 2014, doc.)

18:00h – JANTAR

19:00h – MOSTRA “POLÍTICA E TERRITÓRIO” (94´)

– “MARCO VIVO JENIPAPO-KANINDÉ 2016” (1º vídeo produzido pelos jovens do Coletivo Audiovisual Jenipapo-Kanindé);

– EXIBIÇÃO “MARCO VIVO 2015” (Henrique Didimo, 10’, 2017);

– Política e tradição (Marrayurikuikuro e SaluKuikuro , 11´, 2016, doc, Kuikuro/MT);

– Retomar Para Existir (Olinda Muniz Silva Wanderley, 21´, 2015, doc, Pataxó Ha-Han-Han-Hae);

– Xingu Manifesto (Pedro Saldanha Werneck, 15’, 2017, Xingu/MT);

– Memórias Retomadas – Cacique Vado (João Martinho de Mendonça, 23´, 2015, doc, Potiguara/PB).

3º DIA – DOMINGO | 30/04/2017

07:00h – ESPIRITUALIDADE E RODA DE TORÉ

08:00h – CAFÉ DA MANHÃ

08:30h – REUNIÃO Projeto “FORMAÇÃO CINEASTAS INDIGENAS”

12:00h – ALMOÇO (POUSADA)

14:00h – MOSTRA SIARÁ INDÍGENA (60´)

– A Lenda cotidiana (Bárbara Moura e S. de Sousa, 15´, 2017, Pitaguary/CE);

– Aldeia do saber (Marcelo Alves, Vinicius Augusto Bozzo e Ângela Gurgel, 25´, 2017, Tapeba/CE);

– Conhecendo o desconhecido (Pedro Henrique Cardoso, 20’, 2015, Tapeba/CE).

15:00h – MOSTRA PARALELA: “CINEMA E ESPIRITUALIDADE INDÍGENA” (100´)

– O dia que a lua menstruou (Takuma Kuikuro, 2004, 20´, KuIkuro/MT);

– As HiperMulheres (Takuma Kuikuiro, 80´, 2011, Kuikuro/MT);

– Mediação e debate: Philipi Bandeira.

18:00h – JANTAR

19:00h – CERIMÔNIA DE DOAÇÃO DE ACERVO FOTOGRÁFICO E AUDIOVISUAL PARA MUSEU INDÍGENA JENIPAPO-KANINDÉ – PROJETO “TAPUYAS DO SIARÁ” (Apresentação Philipi Bandeira).

19:30h – EXIBIÇÃO: – “CULTURA E OS NOVOS TEMPOS” (118´)

– OsibaKangamuke – Vamos lá, criançada! (HayaKalapalo, TawanaKalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini de Carvalho, 20´, 2016, doc – Kalapalo/MT);

– Mãos de Barro (Graciela Guarani, 20´, 2017, doc, Pankararu/PE);

– Tedyasese – Superamos os Tempos (Elvis Ferreira de Sá, 20´, 2016, doc, Fulni-ô/PE);

– XekerJetí – Casa dos Ancestrais (Coletivo TekóPorâ, 58´, 2016, doc – Xukuru/PE,).

22:00h – TORÉ DE ENCERRAMENTO