Com apoio da Secult Ceará, 12º Festival Alberto Nepomuceno acontece em Fortaleza, Itapipoca e São Gonçalo do Amarante a partir de 18 de maio, inteiramente gratuito e para todas as idades
18 de maio de 2026 - 13:50 #Festival Alberto Nepomuceno
Ascom Festival Alberto Nepomuceno - Texto
De 18 de maio a 13 de junho, evento realiza programação artística em escolas da rede pública de ensino da zona rural e urbana, Museu de Arte da UFC e encontros virtuais
Grupo de violoncelos da UFC (Divulgação)
De 18 de maio a 13 de junho, as cidades de Fortaleza, Itapipoca e São Gonçalo do Amarante sediam a 12ª edição do Festival Alberto Nepomuceno (FAN). Com formato híbrido, evento atende públicos diversos em escolas da rede pública da zona urbana e zona rural, Museu de Arte da UFC e encontros virtuais.
O 12º Festival Alberto Nepomuceno integra a Política Nacional Aldir Blanc, é realizado pelo Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura (MinC), e pela produtora Vagalume. Tem apoio institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio da Pró-Reitoria de Cultura, Museu de Arte da UFC (Mauc), Programa de Promoção da Cultura Artística, Instituto de Cultura (ICA) e Grupo de Violoncelos da UFC. Tem apoio do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult Ceará). Conta com parceria com a Rede Festivais da Arte e Cultura do Ceará e a Associação Cardume.
Com acesso gratuito, o FAN reúne ações presenciais como o concerto do Grupo de Violoncelos da UFC, apresentações em escolas públicas da primeira mulher DJ do Ceará, DJ Renatinha, e da professora universitária Silézia Franklin (que toca sanfona desde os quatro anos de idade). E realiza ações virtuais que integram conversas sobre música a partir de livros e leituras, em conexão com outras artes. Um encontro de pai e filha com forte vínculo também através da música acontece dia 13 de junho no Museu de Arte da UFC, reunindo a DJ Renatinha e o pesquisador-colecionador Osmar Onofre.
“O FAN é um dos primeiros festivais culturais que acontecem, também, na zona rural do estado. Sempre pensamos em fortalecer a compreensão de escola como um espaço de vivência artística”, afirma Cris Queiroz, psicóloga e produtora cultural responsável pela direção do festival. A edição 2026 acontece em escolas do distrito de Umarituba, em São Gonçalo do Amarante; em Itapipoca, em escolas do povo Tremembé da Barra do Mundaú e da comunidade Córrego da Estrada, no Assentamentos Maceió.
“Queremos dar continuidade aos encontros artísticos na escola indígena Brolhos da Terra, do povo Tremembé, e aos encontros no Assentamento Maceió, em Itapipoca, bem como no Instituto Hélio Goes, em Fortaleza, que tem uma escola de música junto à Sociedade de Assistência aos Cegos”, informa Cris Queiroz.
Em Fortaleza, o festival fortalece as trocas com o curso de Música e o Museu de Arte da UFC – Mauc. Em 2023, no Mauc, o festival iniciou a série de conversas Leituras Públicas Gilmar de Carvalho (1949-2021), sobre vida e obra do pensador da cultura. A série inicia agora uma versão virtual, no YouTube do festival, no âmbito dos encontros sobre acervos do Ceará reunidos na série Joias do Ceará.
Joias do Ceará
Em sua 12ª edição, o Festival Alberto Nepomuceno realiza três encontros virtuais sob o título “Joias do Ceará”. Uma proposição da jornalista Izabel Gurgel, responsável pela curadoria, pesquisa e apresentação dos encontros com quem produz, estuda, pesquisa, escreve, faz curadoria de acervos do Ceará.
Maestro Alberto Nepomuceno
O maestro cearense Alberto Nepomuceno (1864-1920) abriu caminhos na música brasileira, com forte interesse no diálogo entre distintos saberes, usufruindo da produção de conhecimento dos chamados campos ditos erudito e popular. O maestro reconhece a riqueza da diversidade cultural do Ceará, de outros lugares do Brasil e do mundo. O FAN segue a orientação de trabalhar cruzando fronteiras entre as artes em diferentes registros.
Trajetória do FAN
Um festival-escola, o Festival Alberto Nepomuceno tem programação artística para pessoas de todas as idades. Contemplou públicos em Aquiraz e Canindé (zonas urbana e rural), Aracati (sede e Canoa Quebrada), Icó e Juazeiro do Norte.
“O Festival Alberto Nepomuceno tem condução majoritariamente feminina. Por seu caráter intergeracional, reunindo diferentes idades, trajetórias e experiências em torno da criação artística e da formação cultural, resulta em uma composição que fortalece perspectivas mais diversas, sensíveis e colaborativas na produção ao mesmo tempo em que promove o encontro entre gerações, favorecendo a troca de saberes, memórias e linguagens. Ao valorizar a presença das mulheres na gestão, curadoria e realização artística, o FAN contribui para ampliar nossa representatividade, afirmando-se também como espaço de escuta, acolhimento e construção coletiva”, pontua Cris Queiroz.
Programação 12ª edição Festival Alberto Nepomuceno
Fortaleza, Itapipoca e São Gonçalo do Amarante – maio e junho de 2026
Fortaleza
Segunda, 18 de maio: 15h no Instituto Hélio Goes
Grupo de Violoncelos da UFC – projeto “O violoncelo vai à escola”
Coordenação: Profa. Dra. Dora Utermohl de Queiroz
Localização da escola: Bairro São Gerardo, Fortaleza
São Gonçalo do Amarante
Quinta, 21 de maio: 9h30 na Escola Leonice Alcântara Brasileiro
Silézia Franklin: “sanfoneirinha ‘de ouvido’, toco desde os 4 anos”
Localização da escola: distrito de Umarituba
Itapipoca
Sexta, 22 de maio
9h30 no Centro de Educação Infantil Maria Aldenora de Sousa
De repente, um desafio: DJ Renatinha e Silézia Franklin (sanfona e escaleta)
Localização da escola: comunidade Córrego da Estrada, Assentamento Maceió
14h na Escola Indígena Brolhos da Terra
De repente, um desafio: DJ Renatinha e Silézia Franklin (sanfona e escaleta)
Localização da escola: Barra do Mundaú
Fortaleza
Sábado, 13 de junho: 10h no Museu de Arte da UFC – Mauc
Da casa pra rua, conversa entre pai e filha: DJ Renatinha e o pesquisador de música Osmar Onofre
A primeira mulher DJ no Ceará tem lastro de repertório em casa, filha que é do colecionador de LPs, cds e histórias musicais Osmar Onofre. Uma conversa cheia de música, com a vitrola tocando baixinho
Mauc: Av. da Universidade, 2854, Benfica, Fortaleza
Encontros virtuais Joias do Ceará
Sábado, 30 de maio – 10h no youtube do Fan – Joias do Ceará
Virgínia Fukuda (80 anos de vida – 50 de Fortaleza) – Música, leitura e bordado
Uma mestra das artes de bordar, filha de japoneses nascida em São Paulo, Virgínia Fukuda passa a morar em Fortaleza em 1976. Nos últimos anos, tem constituído um acervo com sua sofisticada produção de arte têxtil, incluindo a técnica sashiko, originada no Japão. São livros de artista (exemplares únicos), peças de vestuário com relatos visuais sobre a migração japonesa, séries sobre jazz, chorinho e literatura, dentre trabalhos realizados em vários formatos.
Sábado, 6 de junho – 10h no youtube do Fan – Joias do Ceará
“Torém: brincadeira dos índios velhos”, livro de Gerson Augusto de Oliveira Jr.
“O torém é o brinquedo que os índios velhos deixaram pra nós”. A voz de Joana Henrique Tremembé ressoa em uma das epígrafes do livro, publicado em 1998 pela editora Anna Blume e Secretaria da Cultura do Ceará. A pesquisa-dissertação de mestrado, realizada junto ao Programa de Pós-graduação em Sociologia da UFC, foi contemplada em 1997 com o Prêmio Sílvio Romero, concedido pelo Ministério da Cultura – Funarte – Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular. O professor Gerson Augusto de Oliveira Jr. apresenta desde os primeiros registros históricos – quando o torém “designa também um instrumento musical utilizado durante a dança”- à pesquisa de campo realizada junto aos Tremembé de Almofala, no litoral Oeste do Ceará.
Terça, 09 de junho – 19h no youtube do Fan – Joias do Ceará
Leituras Públicas Gilmar de Carvalho: livro “Tirinete – Rabecas da Tradição”
A pesquisa sobre rabecas nos quatro cantos do Ceará foi contemplada em 2014 com o Prêmio Rodrigo de Mello Franco, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Um pensador da cultura com uma intensa prática de atuação, Gilmar de Carvalho (1949-2021) lança em 2018 o livro que redesenha o Ceará a partir da vivência de uma mulher (Ana Soares) e homens construtores e tocadores de rabeca. Com fotos de Francisco Sousa, a publicação tem texto de apresentação de Ana Miranda. Uma edição Expressão Gráfica e Editora, está disponível também em pdf para livre acesso. O professor já havia publicado “Rabecas do Ceará” em 2006. década anterior. Criadora da série “Joias do Ceará”, a jornalista Izabel Gurgel inicia a versão virtual das Leituras Públicas Gilmar de Carvalho.