Pinacoteca do Ceará promove mostra de curtas “Cidade dos Afetos” com debates e exibições gratuitas

4 de maio de 2026 - 11:42 #

Ascom Pinacoteca do Ceará - Texto

Nos dias 7 e 8 de maio, a programação reúne oito filmes que investigam a memória, o cotidiano e as fabulações sobre Fortaleza. Atividade conta com a presença de realizadores e pesquisadores cearenses

Muxarabi (2021), de Samuel Brasileiro e Natália Maia

A Pinacoteca do Ceará — espaço que integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura (Secult) e é gerido em parceria com o Instituto Mirante de Cultura e Arte — realiza nos dias 7 e 8 de maio a mostra de curtas-metragens “Cidade dos Afetos”. Com curadoria de Felipe Gurgel, a programação gratuita ocupa o auditório do museu com sessões seguidas de debates. A mostra propõe pensar Fortaleza como um território de camadas sobrepostas, onde memória, presença e desejo de futuro se encontram.

A mostra parte da ideia de que a cidade não é apenas o que se vê, mas o que permanece dela após as constantes demolições, construções e mudanças de rotina. Fortaleza se apresenta como um organismo vivo, moldado pelos gestos e deslocamentos de quem a povoa. O curador Felipe Gurgel, realizador e roteirista formado em Cinema pela UFC, selecionou oito filmes que atravessam essa cartografia urbana, organizando a programação em movimentos que vão do íntimo ao coletivo e do passado ao porvir.

As sessões ocorrem no período da tarde, oferecendo 100 vagas por dia, preenchidas por ordem de chegada. A atividade foi selecionada pelo Edital de Credenciamento de Atividades Artísticas e Formativas, lançado pelo museu em 2025.

Programação

A primeira sessão está marcada para quinta-feira (7), às 13h30. O filme de abertura é Supermemórias (2010), de Danilo Carvalho, que utiliza registros caseiros das décadas de 60, 70 e 80 para criar uma poesia coletiva sobre a cidade. Após a exibição, haverá um debate com o diretor Danilo Carvalho e a artista visual Fernanda Meireles. Em seguida, às 15h30, a segunda sessão da mostra foca nos modos de habitar o território com os filmes Curió (2022), de Priscila Smiths e P.H. Diaz, Muxarabi (2021), de Samuel Brasileiro e Natália Maia, e Europa (2011), de Leonardo Mouramateus. Os filmes desenham um mosaico de bairros e cotidianos, revelando a construção coletiva da cidade. O debate será com Jorge Silvestre.

Na sexta-feira (8), as atividades retomam às 13h30. A terceira sessão exibe os filmes “Boca de Loba” (2018) e “A Velha e o Mar” (2005). As obras tensionam o presente e imaginam outras possibilidades de existência na cidade, especialmente sob perspectivas femininas, seguidas de debate com a diretora Andréia Pires. O encerramento da mostra ocorre na quarta sessão, às 15h30, com o longa-metragem “Pajeú” (2020), de Pedro Diógenes. O filme mergulha no soterramento histórico do riacho que atravessa o Centro de Fortaleza, finalizando a mostra com um debate com o roteirista Pedro Cândido.

Conheça os convidados

Felipe Gurgel é realizador e roteirista cearense, formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Seu primeiro trabalho como roteirista de curta-metragem, “Deságua”, concorreu ao prêmio de melhor roteiro na Mostra Cine Urutu 2025 e circulou por diversos festivais nacionais e internacionais. Ao longo de sua trajetória, acumulou experiência como fotógrafo, designer gráfico, editor de vídeo e produtor cultural. Atuou também como professor de audiovisual na Rede Cuca e, atualmente, dedica-se à pesquisa em roteiro e à curadoria de cinema.

Danilo Carvalho é realizador cinematográfico, técnico de som direto, desenhista sonoro e artista visual. Membro fundador do coletivo Alumbramento, dirigiu obras como “Supermemórias” (2010) e os longas “Torquato – Imagem da Incompletude” (2020) e “Virar Mar” (2021), este último filmado entre o sertão cearense e a Alemanha. Atuou no desenho sonoro de filmes como “Praia do Futuro”, de Karim Aïnouz, e “Tatuagem”, de Hilton Lacerda. Com formação em Música pela UECE, foi integrante do grupo Cidadão Instigado e tocou com o cantor Belchior. Atualmente, é sócio-fundador da produtora Filmes de Brinquedo, no Piauí.

Fernanda Meireles é artista visual, escritora e educadora. Graduada em Letras pela UECE, mestre em Comunicação e doutoranda em Artes pela UFC, desenvolve pesquisas e metodologias artísticas através da Loja sem Paredes e da Escola sem Paredes. Sua prática investiga temas como memória social, fotografia, zines e Direitos Humanos. Com experiência na coordenação de linguagens artísticas em equipamentos como o CCBJ e a Biblioteca Pública Estadual do Ceará (BECE), integra coletivos como o Sapato Largo e o Clube de Leitura Meu Tempo é Agora. Fernanda é uma pesquisadora trans não-binária.

Jorge Silvestre é cineasta em formação pela Universidade Federal do Ceará, desenvolve uma trajetória marcada pela intersecção entre educação, imagem e memória no Ceará. Com passagens pelo MIS-CE e MAC-CE, integrou o laboratório de artes visuais da escola Porto Iracema das Artes e o laboratório de arte digital do Centro Cultural Bom Jardim. Atualmente, atua como videomaker na Pinacoteca do Ceará e acumula experiência em sets de filmagem como diretor de fotografia e assistente de câmera.

Andréia Pires é artista da cena, diretora, coreógrafa e preparadora de elenco. Mestre em Artes pela UFC, possui graduação em Artes Cênicas e formação técnica em Dança. Atuou como professora nos cursos de Dança, Teatro e Cinema da UFC. Em sua carreira, dirigiu e roteirizou diversos filmes e espetáculos, com ênfase em produções que emergem de processos coletivos. Investiga as relações entre corpo, imagem e política e integra a Inquieta Cia., grupo de referência na criação e experimentação cênica em Fortaleza.

Pedro Cândido é roteirista e pesquisador, doutorando em Comunicação pela UFPE e mestre pela UFC, onde pesquisou imagem, memória e narrativas de si. Participou de laboratórios de cinema de prestígio, como o do Porto Iracema das Artes e o Laboratório Novas Histórias do Sesc SP. É roteirista e produtor do longa-metragem “Fiz um foguete imaginando que você vinha”, selecionado para a seção Berlinale Forum do 76º Festival de Berlim, onde recebeu o Prêmio do Júri Tagesspiegel. Atuou também como professor substituto na UFC.

Sobre a Pinacoteca do Ceará

Inaugurada em dezembro de 2022 pelo Governo do Ceará, a Pinacoteca do Ceará tem a missão de salvaguardar, preservar, pesquisar e difundir a coleção artística da instituição, sendo espaço de ações formativas com artistas, comunidade escolar, famílias, movimentos sociais, organizações não governamentais e demais profissionais do campo das artes e da cultura. Trata-se de um espaço de experimentação, pesquisa e reflexão para promover o diálogo entre arte e educação a partir de práticas artísticas. Desde a abertura, o museu já recebeu mais de 272 mil visitantes.

Serviço

Mostra “Cidade dos Afetos”

Curadoria de Felipe Gurgel

Quando: 7 e 8 de maio, quinta e sexta-feira, de 13h30 às 18h
Local: Auditório da Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, s/n, Praça da Estação, Centro)
Acesso: Gratuito, 100 vagas por sessão, acesso por ordem de chegada

7/5 – Quinta

Sessão 1 | 13h30 às 15h00

Exibição de Supermemórias 20’ (2010)
seguido de debate com Danilo Carvalho e Fernanda Meireles
Classificação indicativa: Livre

Sessão 2 | 15h30 às 18h00

Curió 20’ (2022)
Muxarabi 18’ (2021)
Europa 19’ (2011)
seguido de debate com Jorge Silvestre
Classificação indicativa: 12 anos

8/5 – Sexta

Sessão 3 | 13h30 às 15h00

Boca de loba 19’ (2018)
A velha e o mar 13’ (2005)
seguido de debate com Andréia Pires
Classificação indicativa: 12 anos

Sessão 4 | 15h30 às 17h30

Pajeú 74’ (2020)
seguido de debate com Pedro Cândido
Classificação indicativa: Livre