Ceará realiza a primeira Conferência Estadual de Arquivos e avança a defesa da memória de nossa gente

10 de abril de 2026 - 20:26

Antonio Laudenir - Texto
Samyra Araújo Fotos

Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC) organizou o evento que marca a contribuição do estado à 2ª Conferência Nacional de Arquivos

Foto: Samyra Araújo

O Governo do Ceará consolidou uma inédita ação que valoriza a memória e a história de nosso povo. O Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC), equipamento cultural da Secretaria da Cultura (Secult Ceará), realizou a 1ª Conferência Estadual de Arquivos do Estado do Ceará. A iniciativa aconteceu nessa sexta-feira (10), na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece).

A partir da Coordenadoria de Patrimônio Cultural e Memória (Copam) da Secult Ceará, a Conferência Estadual de Arquivos reuniu trabalhadores e trabalhadoras de arquivos públicos, privados, comunitários e eclesiásticos, além de docentes, estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais da pesquisa e gestão.

O evento promoveu o debate e a formulação de propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas arquivísticas no Ceará. Os trabalhos da Conferência aconteceram a partir de seis eixos temáticos definidos pela Comissão Organizadora Nacional (CON).

A 1ª Conferência Estadual de Arquivos do Estado do Ceará é parte das etapas preparatórias estaduais e livres que resultarão na 2ª Conferência Nacional de Arquivos (2ª CNArq), que ocorrerá de 26 a 28 de maio de 2026, em Brasília-DF.

A Conferência Nacional volta a ser realizada após um intervalo de 15 anos. Esta edição debate o tema “Arquivos: agentes da cidadania e da democracia”.
Nesse contexto de mobilização nacional, o Ceará promove, pela primeira vez, a sua Conferência Estadual de Arquivos.

Grupo de Trabalho em ação durante a 1ª Conferência Estadual de Arquivos do Estado do Ceará Foto: Samyra Araújo

“Entendemos que o campo da arquivologia no Ceará se faz de maneira coletiva”, destaca a diretora do Arquivo Público do Estado do Ceará, Janaína Ilara. A Conferência é um trabalho feito não só pelo Arquivo Público, contamos com o apoio da Secretaria de Cultura, Sociedade Civil, a Comissão Organizadora Estadual formada por membros do poder público e o Conselho Estadual de Arquivos”, completou a gestora.

Ceará define representantes e propostas

As atividades da Conferência contaram com plenárias e organização dos Grupos de Trabalho que debateram e escolheram as propostas para votação geral.

No turno da tarde, foi realizada a eleição para definir os 16 nomes da delegação cearense que representará o Estado na 2ª Conferência Nacional de Arquivos. A lista é formada por oito representantes do Poder Público e oito da Sociedade Civil. Assim, a contribuição da comunidade arquivística cearense foi fundamental.

As 12 propostas aprovadas (sendo até duas por cada eixo temático) serão encaminhadas à Comissão Organizadora Nacional para apreciação e deliberação na etapa nacional.

“Participar da primeira Conferência Estadual de Arquivos é de suma importância para a preservação da memória, das histórias de pessoas que construíram a sociedade do povo cearense. Estar presente é reafirmar o compromisso de lutar pelo cuidado da memória. Preservar realmente esses documentos para que a  história permaneça viva nessa sociedade”, compartilha o representante da Secretaria de Turismo e Cultura de Viçosa do Ceará e do Instituto Literário Viçosense (ILV), Gilton Barreto.

Eixos Temáticos

A programação da 1ª Conferência Estadual de Arquivos foi composta por meio dos seguintes eixos temáticos:

I – Marco Legal, Governança Arquivística e Perspectivas para uma Política Nacional de Arquivos;
II – Gestão de Documentos como Infraestrutura Democrática;
III – Preservação e Patrimônio Arquivístico;
IV – Acesso, Transparência, Inclusão e Promoção da Cidadania;
V – Ensino e Pesquisa em Arquivologia e Condições de Trabalho nos Arquivos;
VI – Arquivos Privados, Pluralidade da Memória e Interesse Público e Social.

A Conferência consolidou-se como um espaço estratégico de diálogo e construção coletiva para fortalecer o cenário arquivístico do Ceará. Uma etapa fundamental para estimular a criação de arquivos municipais e promover o engajamento dos diversos profissionais envolvidos na área.

Foto: Samyra Araújo

“Costumo dizer que o Arquivo não está morto. Sem ele, quem morre somos nós, sem história, sem vivência e sem conteúdo. Então, a Arquivologia, os arquivistas estão aí para beneficiar e trazer o que há de melhor”, nos conta a arquivista Kalina Sales, de São Gonçalo do Amarante.

Delegação cearense eleita para a 2ª Conferência Nacional de Arquivos Foto: Samyra Araújo

Órgão responsável pela coordenação do Sistema Estadual de Documentação e Arquivos (SEDARQ), o Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC) é a instituição organizadora da 1ª Conferência Estadual de Arquivos. Para tanto, foi instituída a Comissão Organizadora Estadual, composta paritariamente por representantes do poder público e da sociedade civil.

“Nossa próxima etapa é conversar com os outros municípios para trabalharmos a formulação com os arquivos municipais, inclusive estamos muito felizes de ver na Conferência representantes de outras cidades do estado e esse é só um ponto de partida para mais coisa boa que vem por aí”, conclui a diretora do APEC, Janaína Ilara.