Com apoio da Secult, Seminário Arejar o Pensamento reúne nomes centrais do audiovisual contemporâneo para debater a integração do cinema no ensino
31 de março de 2026 - 16:14 #MIS-CE #Museu da Imagem e do Som do Ceará
Ascom Seminário Arejar o Pensamento - Texto
Evento gratuito ocorre de 8 a 10 de abril no Museu da Imagem e do Som, com mesas que abordam protagonismo indígena, policulturas audiovisuais e políticas de preservação

Professora e cineasta indígena brasileira Patrícia Ferreira Pará Yxapy
É tempo de abrir janelas para novos ventos de ideias, capazes de renovar perspectivas sobre a educação e o audiovisual. A segunda edição do Vento da Tarde – Festival de Filmes de Formação apresenta o Seminário Arejar o Pensamento: diálogos entre cinema e educação, que reunirá nomes centrais do audiovisual contemporâneo para três tardes de debates sobre a integração do cinema no ensino e a disputa por imaginários no Brasil. Entre 8 e 10 de abril, o evento ocupa o Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS Ceará), sempre a partir das 14h30, para debater formação, criação e políticas culturais, com transmissão em Libras e certificado de participação. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.
A iniciativa reúne educadores, pesquisadores e cineastas para debater como o audiovisual pode se articular aos modos de ensinar e aprender no mundo contemporâneo. Os diálogos trazem nomes como Tatiana Carvalho Costa, presidenta da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), a cineasta indígena Patrícia Ferreira Pará Yxapy e o cineasta ativista Lincoln Péricles (LK), idealizador da Cinemateca da Quebrada.
O Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS Ceará) integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura (Secult) e é gerido em parceria com o Instituto Mirante de Cultura e Arte.
Mulheres e cinema
A programação começa no dia 8 de abril com a mesa “Kunhangue jogueriayvu cinema regua – Conversa entre mulheres de cinema”, que parte do conceito guarani Nhemongueta – um encontro de conversa onde há cuidado com a escolha das palavras para que “os caminhos se abram”. Entre práticas situadas nos limites do cinema-educação, cidade-aldeia, Brasil-América Latina, a câmera é ela mesmo um modo de habitar a fronteira e a educação, o território onde se materializam outros modos de aprender, sentir e ser.
A conversa reúne a cineasta e educadora Clarisse Alvarenga (UFMG), integrante da Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual – Rede Kino e pesquisadora sobre cinemas ameríndio e amazônico; e a convidada de destaque Patrícia Ferreira Pará Yxapy, professora e realizadora do Povo Mbyá-Guarani. Uma das pioneiras do audiovisual de mulheres Guarani no Rio Grande do Sul, Patrícia é cofundadora do Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema e conselheira da Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas. Sua obra aborda resistência, espiritualidade e território, com filmes como “Teko Haxy – ser imperfeita” (2018) e “Nossos Espíritos Seguem Chegando” (2021). A mediação será de Beatriz Furtado, docente da Universidade Federal do Ceará (UFC) e curadora independente especializada em artes indígenas.
Policulturas audiovisuais
No dia 9 de abril, o debate se concentra na mesa “Policulturas Audiovisuais: Aldeias, Coletivos, Quebradas”, que discute como democratizar os meios de produção audiovisual subvertendo a lógica dos grandes aparatos técnicos e enfrentando o epistemicídio presente nas instituições educativas e cinematográficas.
Entre os convidados, destaca-se Lincoln Péricles (LK) , cineasta fundador da Cinemateca da Quebrada, no Capão Redondo (SP). Sua trajetória vai das bancas de DVDs piratas a festivais como Doclisboa, FID Marseille e ao Centre Pompidou, sendo reconhecido internacionalmente por obras como “Mutirão: O Filme” (2022) e “Entrevista com Fantasmas” (2026), este último vencedor do prêmio de Melhor Curta na Mostra de Tiradentes.
A mesa também conta com Alexandre Veras, realizador, professor e pesquisador em cinema, vídeo-dança e artes instalativas; Iago Barreto, arte-educador, fotógrafo, curador e cineasta, mestre em artes pelo IFCE e coordenador do coletivo Soure na Caucaia; e Sergiane Anacé, jovem cineasta do povo Anacé, integrante da escola de cinema Brotar Cinema com o Povo Anacé e diretora de filmes que marcam a memória e a luta de seu povo: “Reino da Encantaria”, “Festa do Reconhecimento Histórico do Povo Anacé” e “As Retomadas”.
Preservação e difusão
Encerrando o seminário, no dia 10 de abril, a mesa “Preservação e Difusão: construindo uma cultura cinematográfica nas escolas” discute a articulação entre organização profissional, marcos legais, circuitos alternativos e formação escolar como eixos para a construção de uma soberania audiovisual.
A convidada Tatiana Carvalho Costa é presidenta da APAN (Associação de Profissionais do Audiovisual Negro) e integrante do Conselho Superior de Cinema. Doutoranda pela UFMG, ela integra a curadoria da Mostra de Cinema de Tiradentes e é diretora artística do FIANb – Festival Internacional do Audiovisual Negro do Brasil.
Ao lado dela, participam Mari Lacerda, vereadora de Fortaleza (PT), líder do partido na Câmara e presidente da Comissão de Cultura da casa parlamentar; Erik Sousa, mestre em Antropologia (UFPE) com pesquisa em Cinema Indígena, Políticas Culturais e teoria da imagem, além de diretor do Estúdios EO, com atuação em festivais como o Cine Sul; e Sávio Ponte, coordenador do curso de Produção de Áudio e Vídeo da EEEP Jaime Alencar de Oliveira. A mediação será de Rúbia Mércia, doutora em Comunicação pela UFC e diretora da Escola Vila das Artes.
Vento da Tarde – Festival de Filmes de Formação
Chegando em 2026 à segunda edição, com a primeira realizada em setembro de 2024, o Festival Vento da Tarde é um evento dedicado a explorar as intersecções entre o audiovisual e a educação, proporcionando uma plataforma para jovens realizadores exibirem suas produções e engajarem-se em discussões sobre metodologias de ensino inovadoras através do cinema.
O festival é realizado pela Onça Preta Filmes e Produções Artísticas, com o patrocínio do Banco do Nordeste e as parcerias institucionais do Instituto Mirante, Museu da Imagem e do Som (MIS), Instituto Dragão do Mar, Cinema do Dragão, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Cineteatro São Luiz, Universidade de Fortaleza – Curso de Cinema e Audiovisual, TV Unifor, Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura e Secretaria da Educação, e Secretaria da Educação de Fortaleza. A parceria curatorial é da Rede Kino – Rede Latino-americana de Educação, Cinema e Audiovisual.
Intitulado “Vento da Tarde”, a ideia formadora do festival ancora-se exatamente na aragem fresca que ameniza o calor nas cidades dos sertões do Jaguaribe, no finalzinho do dia, instaurando novas possibilidades de encontro, num movimento de abertura de janelas e cadeiras nas calçadas. Uma metáfora relacionada com o frescor e a capacidade inventiva dos novos realizadores.
Onça Preta Filmes e Produções Artísticas
Onça Preta Filmes é uma produtora audiovisual independente sediada em Fortaleza, Ceará, fundada em 2019, dedicada ao desenvolvimento e produção de obras audiovisuais e projetos culturais. A empresa atua na criação e realização de longas-metragens, curtas-metragens, séries e projetos formativos, com ênfase em narrativas contemporâneas e em iniciativas que articulam cinema, educação e impacto social. Ao longo de sua trajetória, a produtora desenvolveu e produziu obras exibidas em festivais e mostras no Brasil e no exterior, além de projetos culturais voltados à formação e difusão audiovisual.
Serviço
Seminário Arejar o Pensamento: diálogos entre cinema e educação
Data: 8, 9 e 10 de abril de 2026
Horário: 14h30 às 17h (com coffee break ao final)
Local: Museu da Imagem e do Som (MIS Ceará). Av. Barão de Studart, 410 – Meireles, Fortaleza (CE)
Inscrições gratuitas em ventodatarde.com.br/inscricao-seminario
Mais informações: www.ventodatarde.com.br