Com grandes nomes, Pinacoteca do Ceará realiza seminário para refletir sobre o corpo na arte

30 de março de 2026 - 12:34 #

Ascom Pinacoteca do Ceará

Nos dias 10 e 11 de abril, o evento expande as discussões da exposição “Corpos explícitos, corpos ocultos”, reunindo artistas presentes na mostra, como Arthur Omar e Beth Moysés, além dos curadores e de pesquisadoras como Marisa Flórido e Helena Vieira

Exposição “Corpos explícitos, corpos ocultos” (Foto: Marília Camelo)

A partir da proposta curatorial da exposição “Corpos explícitos, corpos ocultos”, em cartaz na Pinacoteca do Ceará, o museu realiza o seminário “DE CORPORE – Corpo adentro, corpo afora” nos dias 10 e 11 de abril. O evento vai reunir artistas presentes na mostra, curadores e pesquisadores para discutir o corpo além do caráter biológico, ampliando o debate para diversas áreas do conhecimento. A programação é gratuita e vai ocupar o auditório da instituição, que faz parte da Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura (Secult), e é gerido em parceria com o Instituto Mirante de Cultura e Arte.

Dividido em duas mesas de debate, o seminário inicia na sexta-feira (10), às 18h, com a discussão “A imagem do corpo, o corpo da imagem”, questionando como o corpo pode funcionar como um sinal ou uma mensagem. Participam da discussão o artista e doutor em dança Luiz de Abreu, a professora e pesquisadora Marisa Flórido e o cineasta Arthur Omar, em cartaz na exposição com a série de fotografias “Limbo – De Volta à Imagem” (2010-2019). Os convidados refletem a temática a partir da relação entre o corpo e a dança, a ideia de um corpo perdido ou procurado e a imagem e a corporeidade. A mediação será de Adolfo Montejo Navas, um dos curadores de “Corpos explícitos, corpos ocultos”.

A segunda mesa, no sábado (11), inicia às 15h, com o título “Corpo de corpos: fraturas e conexões, afetos e limites”. O encontro vai explorar o corpo como um espaço expandido que articula o interior e o exterior. O debate passará por questões como o corpo feminino, a identidade e a relação entre o corpo e o habitat ou a arquitetura. A mesa contará com a presença da  escritora e professora Helena Vieira e do arquiteto Enk Te Winkel, do estúdio Vão, responsável pela expografia de “Corpos explícitos, corpos ocultos”, e da artista visual Beth Moysés, cuja obra “Umbigo” (2021) está na mostra em cartaz. A mediação fica a cargo do curador Agnaldo Farias.

Cada mesa contará com 100 vagas e a participação do público é mediante ordem de chegada e inscrição na recepção, a partir de um hora antes.

Sobre os convidados

Mesa 1 “A imagem do corpo, o corpo da imagem”

Luiz de Abreu é artista da dança e Doutor em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Iniciou sua trajetória nos anos 1960, em Araguari (MG), nos terreiros de umbanda guiado por sua avó. Profissionalizou-se em Belo Horizonte na década de 1980 e, nos anos 1990, consolidou sua carreira solo em São Paulo. É o criador da aclamada obra “O Samba do Crioulo Doido”, apresentada em diversos palcos do Brasil e do exterior. Atualmente, dedica-se à pesquisa do corpo preto como epistemologia e instrumento crítico da sociedade brasileira.

Arthur Omar é cineasta, fotógrafo, escritor e artista plástico. Autor de livros fundamentais para a estética contemporânea, como “Antropologia da Face Gloriosa” e “Viagem ao Afeganistão”, dirigiu o longa-metragem “Triste Trópico” e dezenas de documentários dedicados à arte. Integrou duas edições da Bienal de São Paulo e teve sua trajetória celebrada em uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

Marisa Flórido Cesar é crítica de arte, curadora independente e professora de História e Teoria da Arte no Instituto de Arte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Autora de diversos textos publicados em revistas acadêmicas, catálogos e periódicos no Brasil e no exterior, publicou em 2014 o livro “Nós, o outro, o distante na arte contemporânea brasileira”. Atuou como crítica de arte nos jornais O Globo e Jornal do Brasil e vive no Rio de Janeiro, onde nasceu.

Mesa 2 “Corpo de corpos: fraturas e conexões, afetos e limites”

Beth Moysés é artista visual formada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e mestre em Artes Visuais pela Unicamp. Desde o início da década de 1990, desenvolve uma poética que utiliza o vestido de noiva como ferramenta simbólica em objetos, instalações, fotografias e performances. Sua pesquisa acadêmica e artística aprofundou-se no tema da violência doméstica, resultando em ações de grande impacto público, como a performance realizada no ano 2000 na Avenida Paulista, em São Paulo, com 150 mulheres. Com uma trajetória consolidada no cenário internacional, Beth Moysés apresenta seus trabalhos em diversas instituições dentro e fora do Brasil.

Helena Vieira é escritora, dramaturga e curadora de artes cênicas. Integrante do Conselho Consultivo do Teatro de Arena, é autora do monólogo “Ofélia, a travesti gorda” e idealizadora da peça “Jango Jezebel: Onde Estavam as Travestis na Ditadura?”. Entre 2025 e 2026, assinou a curadoria dos Olhares Críticos da MITsp e atuou como docente no Itaú Cultural e na PUC-RS Online. É colunista da Revista Cult e colaboradora artística em produções de diretores como Yara de Novaes e Márcio Abreu, além de atuar como consultora de roteiro para projetos cinematográficos como “Fabiana”, “Madalena” e “Geni e o Zepelim”.

Enk te Winkel é arquiteto e urbanista graduado pela FAU Mackenzie e sócio-fundador do escritório vão. Seu trabalho final de graduação, “Arquitetura por Subtração”, foi vencedor do 24º Opera Prima e selecionado para a X Bienal de Arquitetura de São Paulo. Possui uma sólida trajetória acadêmica, tendo atuado como professor na Escola da Cidade e na Faculdade Eduvale, além de ter sido professor convidado na Faculdade de Arquitetura, Disegno y Urbanismo da Universidad de Buenos Aires (Argentina) entre 2020 e 2022. Atualmente, integra o corpo docente da Escola da Cidade e assina, com o escritório Vão, a expografia da exposição “Corpos explícitos, corpos ocultos” na Pinacoteca do Ceará.

Sobre os mediadores

Adolfo Montejo Navas é poeta, artista visual, crítico e curador independente. De Madri, mora no Brasil há 33 anos. Seu campo preferencial versa sobre a cultura da imagem/fotografia e a poesia visual/contraescritura.

Foi correspondente da revista de arte internacional Lápiz (Madri, 1999-2014) e editor de Dasartes (2008-2009). Publicou livros e edições monográficas sobre Anna Bella Geiger, Regina Silveira, Victor Arruda, Iberê Camargo, Paulo Bruscky, Mario Carneiro, Ana Vitória Mussi, Patricio Farías, Miguel Rio Branco, Mario Rubinski e Hermeto Pascoal, o ensaio Fotografia e poesia (afinidades eletivas), entre outros diversos (Miscelânea Cortázar ou A bola entre palavras).

Ganhou bolsa da RioArte (2001) e os prêmios: Mário Pedrosa de Ensaio de Arte e Cultura Contemporânea (2009), XV Marc Ferrez de Fotografia/Reflexão Crítica (2015) e Aldir Blanc (2020 ─ Paraná) pela trajetória artística. Foi honrado com o título de Notório Saber em Artes pela UFRGS (Universidade Federal Rio Grande do Sul) (2016).

Assinou a curadoria geral da XIV Bienal de Arte Internacional de Curitiba, Fronteiras em aberto (2019), e exposições recentes de Arthur Omar, Victor Arruda, Nicanor Parra, Alice Vinagre, Mario Rubinski e Hermeto Pascoal. Últimas edições: 70 fendas (Tipografia do Zé, Belo Horizonte, 2024), Poemas de visita (Centro Editor, Madri, 2025) e as exposições individuais: De tudo, apartes (F. Stickel, SP, 2021), Sinalética (I. Cervantes, SP, 2025).

Agnaldo Farias é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e desenvolve pesquisa em Arte e Arquitetura Contemporâneas.

Foi curador-geral do Museu Oscar Niemeyer (2017-2018), do Instituto Tomie Ohtake (2000-2012) e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1998-2000). Foi curador de Exposições Temporárias do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (1990-1992).

Foi curador-geral da 29ª Bienal de São Paulo (2010), da Representação Brasileira da 25ª Bienal de São Paulo (2002) e curador-adjunto da 23ª Bienal de São Paulo (1996). Foi curador-geral da 3ª Bienal de Coimbra, Portugal (2019), curador internacional da 11ª Bienal de Cuenca, Equador (2011) e do Pavilhão Brasileiro da 54ª edição da Bienal de Veneza (2011).

Recebeu os prêmios: “Melhor retrospectiva” da APCA, em 1994 (Retrospectiva Nelson Leirner – Paço das Artes); Prêmio Maria Eugênia Franco, da ABCA, pela melhor curadoria de 2011 (Nelson Leirner 1961-2011 ─ FIESP); Prêmio Exposição Rico Lins – Gráfica de Fronteira (2010 ─ Instituto Tomie Ohtake); Prêmio “Melhor exposição de fotografia”, da APCA, em 2022 (Penna Prearo).

Sobre a Pinacoteca do Ceará

Inaugurada em dezembro de 2022 pelo Governo do Ceará, a Pinacoteca do Ceará tem a missão de salvaguardar, preservar, pesquisar e difundir a coleção artística da instituição, sendo espaço de ações formativas com artistas, comunidade escolar, famílias, movimentos sociais, organizações não governamentais e demais profissionais do campo das artes e da cultura. Trata-se de um espaço de experimentação, pesquisa e reflexão para promover o diálogo entre arte e educação a partir de práticas artísticas. Desde a abertura, o museu já recebeu mais de 272 mil visitantes.

Serviço

Seminário DE CORPORE – corpo adentro, corpo afora

10/4/2026 | sexta-feira | 18h às 20h
Mesa 1 – A imagem do corpo, o corpo da imagem
Com Luiz de Abreu, Arthur Omar e Marisa Flórido
Mediação: Adolfo Montejo Navas
Local: Auditório da Pinacoteca do Ceará
Classificação Indicativa: Livre
Acessibilidade em Libras
Gratuito. 100 vagas disponíveis por ordem de chegada

11/4/2026 | sábado | 15h às 17h
Mesa 2 – Corpo de corpos: fraturas e conexões, afetos e limites
Com Beth Moysés, Enk Te Winkel e Helena Vieira
Mediação: Agnaldo Farias
Local: Auditório da Pinacoteca do Ceará
Classificação Indicativa: Livre
Acessibilidade em Libras
Gratuito. 100 vagas disponíveis por ordem de chegada