Com apoio da Secult, Festival Vento da Tarde exibe mais de 40 curtas de todo o Brasil e homenageia 20 anos da Vila das Artes
26 de março de 2026 - 14:59 #Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura #Cinema do Dragão #Cineteatro São Luiz #MIS-CE #Museu da Imagem e do Som do Ceará
Ascom Festival Vento da Tarde - Texto
Com mostras audiovisuais e debates, segunda edição do evento ocorrerá de 7 a 11 de abril no Cinema do Dragão, Museu da Imagem e do Som e Cineteatro São Luiz, reunindo realizadores e pesquisadores de cinema e educação

Foto: Tainá Cavalcante
Após o pouso, é hora de voar de novo. A segunda edição do Vento da Tarde – Festival de Filmes de Formação traz ao público uma programação especial com mais de 40 filmes realizados em ambientes de formação de todo o Brasil. Com três mostras audiovisuais e um seminário, o evento ocorre de 7 a 11 de abril, em Fortaleza, e reforça debates sobre questões que mobilizam o diálogo entre cinema e educação. Neste ano, o festival homenageia os 20 anos da Vila das Artes e dois dos principais idealizadores da experiência, os realizadores Beatriz Furtado e Alexandre Veras. As atividades ocorrerão no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Cineteatro São Luiz e Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE) — espaços que integram a Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura (Secult) e são geridos em parceria com o Instituto Dragão do Mar (Dragão do Mar e Cine São Luiz) e Instituto Mirante de Cultura e Arte (MIS-CE).
Após uma primeira edição marcada pela diversidade de olhares e pela força do cinema como linguagem pedagógica, realizada em setembro de 2024, o Vento da Tarde retorna reafirmando seu compromisso com a formação audiovisual, a experimentação e a troca de saberes. De acordo com Davi Jaguaribe, diretor do festival, a iniciativa nasce da compreensão de que o cinema também é uma prática pedagógica e instrumento de formação crítica e sensível.
“Este é um espaço dedicado aos filmes realizados em contextos de aprendizagem, mas, sobretudo, é um espaço para refletir sobre como o audiovisual pode transformar a educação e como a educação pode transformar o audiovisual. Em sua segunda edição, o festival amplia esse debate e reafirma a importância de criar espaços onde jovens realizadores possam não apenas exibir seus filmes, mas compreender que suas imagens também constroem memória, pensamento e futuro”, afirma.
Isaac Pipano, curador do Vento da Tarde e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisa o papel dessas reflexões na construção de narrativas, de conhecimento e de soberania. “Crianças, adolescentes e adultos passam horas diárias consumindo conteúdos em plataformas transnacionais que determinam o que pode ou não ser visto. Enquanto isso, nas escolas, o cinema brasileiro segue praticamente ausente das salas de aula. A pergunta que nos move é: quais imagens, de quais Brasis, são partilhadas nas comunidades escolares? Quem determina o que se vê, ouve e circula na educação brasileira?”, questiona.
Conforme Pipano, o Seminário Arejar o Pensamento existe precisamente para reunir educadores, pesquisadores e cineastas para debater como o audiovisual pode se articular aos modos de ensinar e aprender no mundo contemporâneo. “Quando uma criança vê um filme, ela não está apenas diante de uma experiência de entretenimento. Ela está aprendendo formas de olhar, de sentir, de ser e de imaginar presentes e futuros possíveis. Essa perspectiva tem um sentido profundamente político”, reafirma.
Os diálogos trazem nomes como Tatiana Carvalho Costa, presidenta da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), a cineasta indígena Patrícia Ferreira Pará Yxapy e o cineasta ativista Lincoln Péricles (LK), idealizador da Cinemateca da Quebrada.
Sobre o festival: as Mostras de Filmes
Dividido em três mostras e um seminário, o Vento da Tarde acontecerá em três importantes espaços da Secretaria da Cultura do Ceará: Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE); Cinema do Dragão, localizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura; e Cineteatro São Luiz.
A Mostra Aracati é a competitiva de curtas de formação, com exibição de filmes realizados no âmbito de experiências de formação de níveis superiores, técnicos e cursos livres, com exibições a partir das 19 horas, no Cinema do Dragão. Já a Mostra Aragem apresentará filmes produzidos em escolas de Ensino Fundamental e Médio de todo território nacional, com curadoria em parceria com a Rede Kino – Rede Latino-americana de Educação, Cinema e Audiovisual. As exibições da Mostra Aragem acontecem nas manhãs dos dias 8, 9 e 10, no Cineteatro São Luiz.
A Mostra Filme de Formação homenageia e exibe filmes de realizadores de trajetória consolidada ou obras que fizeram parte das referências de formações no audiovisual. Este ano, no contexto de aniversário dos 20 anos da Vila das Artes, equipamento da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor) gerido em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI), a Mostra será constituída por filmes realizados no âmbito da experiência, com curadoria da professora Beatriz Furtado, do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará (UFC), e do artista e pesquisador Alexandre Veras, idealizador de processos de formação livres em cinema e artes.
O Seminário Arejar o Pensamento: diálogos entre Cinema e Educação
O Seminário Arejar o Pensamento: diálogos entre Cinema e Educação propõe uma agenda de debates sobre os processos de formação e criação em audiovisual, e as aproximações com o campo da educação. As mesas acontecem no Museu da Imagem e do Som, nos dias 8, 9 e 10, sempre a partir das 14h30, abertas ao público.
Com o título “Conversa entre mulheres de cinema”, a primeira mesa será realizada no dia 8 de abril e reúne as realizadoras Clarisse Alvarenga e Patrícia Ferreira Pará Yxapy, com mediação da professora Beatriz Furtado, e propõe compartilhar práticas de cinema realizadas entre indígenas e não-indígenas
No dia 9 de abril, quinta-feira, a mesa “Policulturas Audiovisuais: Aldeias, Coletivos, Quebradas” reúne os pesquisadores Alexandre Veras, Iago Barreto, Sergiane Anacé e Lincoln Péricles (LK), com a mediação do professor pesquisador Isaac Pipano.
No dia 10, sexta-feira, o debate será sobre “Disputar as imagens, defender a democracia: escola-território-cinema”, com Tatiana Carvalho Costa, presidenta da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), a vereadora Mari Lacerda, presidenta da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Fortaleza, o pesquisador e cineclubista Erik Sousa e o professor Sávio Pontes, educador da Escola Estadual Jaime Alencar de Oliveira. A mediação será da realizadora Rúbia Mércia, diretora da Vila das Artes.
Homenagens
Nesta edição, o Vento da Tarde homenageia três referências da formação audiovisual no Ceará: o realizador e artista Alexandre Veras, a professora e pesquisadora Beatriz Furtado e a Vila das Artes, escola de formação em artes que completa 20 anos em 2026. A homenagem reconhece trajetórias e experiências que compreendem o cinema como prática coletiva, educativa e política.
Consolidada como um dos projetos de política pública de cultura mais exitosos e resistentes do Brasil, a Vila das Artes é um espaço de formação, pesquisa, produção e fruição artística, que oferece cursos e atividades gratuitas em linguagens e formatos diversos. Espaço da Prefeitura de Fortaleza, o equipamento foi implantado a partir do Curso de Realização Audiovisual, que nestes 20 anos já formou cerca de 200 realizadores.
Além da homenagem institucional, o Vento da Tarde também homenageia o pesquisador Alexandre Veras e a professora Beatriz Furtado, artistas e educadores definidores na experiência de formação em cinema no Ceará.
Alexandre Veras foi coordenador do Alpendre Casa de Arte Pesquisa e Produção por 13 anos, desenvolvendo intensa atividade como realizador, curador de mostras e exposições, gestor, pesquisador e professor. Dirigiu diversos trabalhos em videodança, instalações, ficção e documentário. Foi diretor artístico da Bienal de Dança de Par em Par e coordenou o desenho pedagógico da Escola de Audiovisual de Fortaleza, além de diversos projetos de formação em audiovisual. Atualmente coordena o Atelier Rural, um espaço que promove a interface entre artes e agroecologia.
A pesquisadora Beatriz Furtado, idealizadora da Vila das Artes, é um dos nomes de destaque no pensamento cinematográfico e artístico contemporâneo. Atualmente, professora do Instituto de Cultura e Arte (UFC), construiu uma trajetória acadêmica voltada às linguagens do cinema e do audiovisual.
“É um gesto é reconhecimento de que a soberania audiovisual que almejamos depende dessa aliança vital entre a ousadia de educadores-artistas e a perenidade de políticas públicas corajosas. Essa homenagem também a nossa crença de que instituições culturais podem e devem operar como infraestruturas de transformação, onde a memória não se separa da formação e onde o passado permanece vivo porque continua a produzir presente”, observa Davi Jaguaribe, diretor do Vento da Tarde.
Sobre o Vento da Tarde – Festival de Filmes de Formação
Chegando em 2026 à segunda edição, o Festival Vento da Tarde é um evento dedicado a explorar as intersecções entre o audiovisual e a educação, proporcionando uma plataforma para jovens realizadores exibirem suas produções e engajarem-se em discussões sobre metodologias de ensino inovadoras através do cinema.
O festival é realizado pela Onça Preta Filmes e Produções Artísticas, com o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil e as parcerias institucionais do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura e da Secretaria da Educação, do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), do Instituto Mirante de Cultura e Arte, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, do Cineteatro São Luiz, do Instituto Dragão do Mar, da Universidade de Fortaleza – Curso de Cinema e Audiovisual, TV Unifor, e da Secretaria da Educação de Fortaleza. Conta com parceria curatorial com a Rede Kino – Rede Latino-americana de Educação, Cinema e Audiovisual.
Intitulado “Vento da Tarde”, a ideia formadora do festival ancora-se exatamente na aragem fresca que ameniza o calor nas cidades dos sertões do Jaguaribe, no finalzinho do dia, instaurando novas possibilidades de encontro, num movimento de abertura de janelas e cadeiras nas calçadas. Uma metáfora relacionada com o frescor e a capacidade inventiva dos novos realizadores.
Onça Preta Filmes e Produções Artísticas
Onça Preta Filmes é uma produtora audiovisual independente sediada em Fortaleza, Ceará, fundada em 2019, dedicada ao desenvolvimento e produção de obras audiovisuais e projetos culturais. A empresa atua na criação e realização de longas-metragens, curtas-metragens, séries e projetos formativos, com ênfase em narrativas contemporâneas e em iniciativas que articulam cinema, educação e impacto social. Ao longo de sua trajetória, a produtora desenvolveu e produziu obras exibidas em festivais e mostras no Brasil e no exterior, além de projetos culturais voltados à formação e difusão audiovisual.
Serviço
Vento da Tarde – 2º Festival de Filmes de Formação
Quando: 7 a 11/4/2026
Locais: Museu da Imagem e do Som, Cinema do Dragão e Cineteatro São Luiz
Confira a programação completa neste link.
Mais informações: www.ventodatarde.com.br