Show “Ceará Negro” celebra Data Magna (25) no Centro Dragão do Mar
20 de março de 2026 - 12:53 #Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura #Dragão Do Mar
Apresentação marca o lançamento da segunda edição ampliada do livro “Ceará Negro e outros temas de África”, do escritor Flávio Paiva

Mural (Foto Robyson Alves)
A festa do antirracismo no Ceará tem contornos ampliados em 2026. Para celebrar a Data Magna do Estado, em 25 de março, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, promove o show “Ceará Negro”, com as cantoras Adna Oliveira, Di Ferreira e Mallu Viturino, às 19h30, no Espaço Rogaciano Leite Filho. A apresentação marca o lançamento da segunda edição ampliada do livro “Ceará Negro e outros temas de África”, do escritor Flávio Paiva (Omni, 2026, 488 p.).
Produzido e dirigido pelo músico Cláudio Mendes, o espetáculo conta com três cantoras afrobrasileiras, de três gerações diferentes, todas com inserção de destaque na cena musical cearense. Para Flávio Paiva essa formação dá o tom exato do sentido do projeto Ceará Negro. “São três cantoras que admiro pela qualidade artística, pela força como mulher e pela sensibilidade humana. Sem contar com a produção do Cláudio Mendes que, além de um parceiro talentoso, é um músico excepcional. Essa convergência gera uma energia musical, poética e cidadã muito calorosa”, ressalta.
Assim como em 2025, quando a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) abriu as portas do Campus da Liberdade, em Redenção, para o lançamento com a apresentação do grupo Vozes D´África, projeto da própria universidade, o lugar do show em 2026 é também simbólico. O espetáculo acontece no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, que no próprio nome homenageia o líder abolicionista cearense Chico da Matilde.
O livro
Na segunda edição ampliada de “Ceará Negro e outros temas de África”, Flávio Paiva demonstra a intensificação do seu interesse por temas do continente africano em 65 artigos, produzidos nos últimos 25 anos, todos comentados por estudantes da Unilab. A capa da edição traz uma nova foto de Yuri Chimanga, também universário da Unilab e autor da foto do primeiro “Ceará Negro”, lançado em 2025. O tema da imagem é o mesmo, um xequerê (abê ou também agbê), instrumento de percussão de origem africana, confeccionado com cabaça seca e envolvido por malha de contas coloridas, muito utilizado na música afrobrasileira.
A movimentação gerada desde o lançamento da primeira edição, desencadeando novos diálogos em distintos lugares da Terra da Luz (criação da lei estadual nº 19.291/2025, que inclui no calendário oficial do Ceará a Semana Alusiva à Data Magna e à Igualdade Racial; nominação de selo educativo do IFCE, debates e lançamentos, entre outras ações), instigou o autor. “Com tamanha cumplicidade de quem acredita que a luta antirracista e pela igualdade racial passa pela propagação de impressões sobre África que sejam desassociadas da imagem estereotipada construída sobre o continente por colonizadores e neocolonizadores, senti-me impelido a fazer esta segunda edição ampliada”, explica.
Esse conceito de liga cultural é destacado pelo historiador Rosenverck Estrela Santos, professor da Licenciatura e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Africanos e Afro-brasileiros, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Autor do prefácio à segunda edição, ele afirma que o “Ceará Negro e outros temas de África” é, sobretudo, “um livro sobre conexões”: “África, Brasil e Ceará aparecem como territórios historicamente ligados por rotas, corpos, culturas, resistências e criações”.
No prefácio à primeira edição, o reitor da Unilab, Roque Albuquerque, realça que “Mais do que brindar leitoras e leitores com perspectivas dirigidas ao potencial africano entre as sociedades mundiais, o autor propõe uma reavaliação crítica das narrativas dominantes, destacando a necessidade de se reconhecer e valorizar cada vez mais as contribuições dos afrodescendentes no Ceará e no Brasil como um todo”.
Já o posfácio tem assinatura da professora Adriana Guimarães, diretora-geral do Campus Fortaleza do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE). No texto, ela chama atenção para a ideia de “Festa na Terra da Luz”, reforçando a proposta da música-tema “Ceará Negro” e a defesa do autor: “Flávio Paiva propõe um resgate do sentido da expressão ‘Terra da Luz’, cunhada pelo abolicionista José do Patrocínio (1854–1905) em decorrência da pioneira libertação, quando esse conceito tão potente e belo está reduzido à publicidade de venda de praias ensolaradas”.
A segunda edição do livro “Ceará Negro e outros temas de África” será a primeira obra do Selo Editorial e Audiovisual SACI (Articulação, Inovação, Cultura e Integração), iniciativa do IFCE Fortaleza, que será lançado em 2026.
A música-tema
Como é comum na obra de Flávio Paiva, “Ceará Negro e outros temas de África” também combina literatura e música. Para esta nova edição, a conexão dialógica com o continente africano proposta no livro ganha novo reforço com a gravação da música-tema “Ceará Negro” (Paulo Lepetit / Flávio Paiva) pela cantora Fattú Djakité, da Guiné-Bissau.
Com a potente e dançante interpretação de Fattú, a nova versão da música já está disponibilizada no Spotify e demais plataformas de streaming de música. E tem novidade na letra: a cantora deu um toque especial à composição com a tradução para o crioulo da seguinte estrofe:
E se chover (Si tchuba bem)
Deixa a chuva molhar (Dexa tchuba modja)
E se ventar (Si bentu bem)
Deixa o cabelo assanhar (Dexa kabelo spadja).
“Com este livro e com a música-tema estou compartilhando um pouco do meu processo de descobertas do mundo africano, na expectativa de que isso contribua para outras pessoas se interessarem em ter mais contato, mais proximidade com a realidade e as causas africanas, como eu tenho tido”, afirma o autor. “Faço essa busca sem métodos e sem obrigações, inspirada na vontade de querer saber mais a respeito desse conjunto de territórios e povos responsáveis por parte significativa do que somos, enquanto brasileiros, e na crença que me move no sentido de valorizar a negritude e promover a igualdade racial”, completa.
Serviço
Show de lançamento da segunda edição ampliada do livro “Ceará Negro e outros temas de África”, do escritor Flávio Paiva
Com as cantoras Adna Oliveira, Di Ferreira e Mallu Viturino
Data: 25 de março de 2025
Hora: 19h30
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
(R. Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema, Fortaleza – CE)
Gratuito
Classificação Livre
Valor do livro “Ceará Negro”: R$ 80
As cantoras
Adna Oliveira, 69 anos, é carioca e mora em Cruz (CE).
Cantora, compositora e atriz com mais de 40 anos de trajetória. Idealizadora dos shows “Gaia” e “Mulher de 60”. Entre 2023 e 2024, circulou com a turnê nacional do musical “CAETANAS”. Já sexagenária, abraçou o universo do audiovisual ao atuar em projetos de cinema e televisão. Entre seus últimos trabalhos, destaca-se o longa “O Melhor Amigo” (2025), dirigido por Allan Deberton, e o single de sua autoria “Luar do Preá”.
Di Ferreira, 37 anos, é capixaba e mora em Fortaleza.
Iniciou o ofício musical em 2009, aos 20 anos, tendo integrado projetos como a banda theDillas, Las Tropicanas (ao lado de Lorena Nunes e Maria Antonia), Beat N´Jazz (junto a Cláudio Mendes), e também os shows coletivos como “Falando da Vida”, ”Cearás do Amanhã” e “Filhes de Ninguém”. No campo do audiovisual, atuou em sete projetos entre curtas, longas e séries.
Mallu Viturino, 23 anos, é fortalezense e mora na Sabiaguaba.
Artista independente, que compõe, canta e toca o indivíduo no coletivo, as amizades, os quereres, os impulsos e motivações do corpo, da pele, da voz, do lugar onde mora, por onde anda e a proteção dos antepassados. Ativista das questões negritude, representa a nova geração que conecta música e engajamento social.
A Banda Ceará Negro
Cláudio Mendes
Músico e produtor musical com quase 25 anos de atuação na cena nacional e internacional. Tocou, produziu e dirigiu nomes como Ednardo, Di Melo, Mano Chao, Rodger Rogério, Fausto Nilo e com mais toda uma geração da nova música cearense. Atua também como arte educador promovendo Ateliês de Criação onde já criou e lançou coletivamente mais 30 músicas envolvendo quase 500 artistas no Ceará inteiro.
Aldy Frota
Aldiana Frota Santos, natural de Itapipoca (CE), 29 anos, mulher cis, lésbica, periférica e umbandista, Tambozeira (Curimbeira) da C.E.U Santa Bárbara Guerreira de Itapipoca, percussionista do Grupo Tambores Afro Baião e do Coletivo Luminô. Atriz, palhaça e educadora social.
Naiara Lopes
Naiara Lopes, musicista, compositora, começou a tocar profissionalmente em 2007 e desde então vem trabalhando em projetos freelancers e com artistas independentes de Fortalezas, alguns nomes como Mona Gadelha, Luiza Nobel, Zéis, Jord Guedes e Mulher Barbada, dentre outros. É uma das idealizadoras do grupo/coletivo de músicas As Ritas CE. É também técnica de palco e operadora de som em shows e gravações.
Samuel Vidal
Saxofonista fortalezense. Iniciou sua carreira profissional em 2015, acumulando experiência em apresentações solo e shows com bandas, DJs e artistas reconhecidos. Já se apresentou ao lado de nomes como Camaleoa, Kátia Cilene, Juliana Barreto e Gustavo Serpa, além de colaborar com grupos como Banda Acaiaca e Superbanda. Recentemente gravou duas faixas no novo trabalho da banda Selvagens à Procura de Lei e realizou turnê nacional com o artista Xand Avião, consolidando-se como um músico requisitado em eventos e na cena musical brasileira.
Netinho de Sá
Músico, baixista, técnico de áudio e produtor musical, com mais de vinte e sete anos de carreira. Natural de Fortaleza, iniciou sua trajetória profissional aos doze anos, sendo a terceira geração de baixistas da família. É também produtor e diretor musical do estúdio Ararena em Fortaleza.
Letra da música-tema
CEARÁ NEGRO
(Paulo Lepetit / Flávio Paiva)
O dia chegou
E eu vim feliz te encontrar
É o dia da festa de luta
Do antirracismo no Ceará
Festa da negritude
Atitude da cor
Do corpo de som
Negro de amor
E se chover
Deixa a chuva molhar
E se ventar
Deixa o cabelo assanhar
Si tchuba bem
Dexa tchuba modja
Si bentu bem
Dexa kabelo spadja
É festa
É festa
É festa
Na Terra da Luz!
Disponível nas plataformas de música digital.