Seminário “Para Todos Rirem” debateu Humor e Direitos Humanos em Fortaleza

27 de fevereiro de 2026 - 14:48

Ascom Secult I Isabel Mayara

 

Abertura Seminário pra Todos Rirem – Jeny Sousa

Nos dias 24 e 25 de fevereiro, a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult Ceará) realizou o Seminário “Para Todos Rirem  Humor e Direitos Humanos”, na KUYA – Centro de Design do Ceará, equipamento que integra a Rede de Espaços Culturais da Secult Ceará (RECE). A iniciativa contou com apoio do Instituto Dragão do Mar (IDM) e reuniu humoristas, gestores públicos e instituições parceiras para debater políticas culturais, acessibilidade, ações afirmativas e direitos humanos no universo do humor.

Ao longo das duas manhãs de programação, o encontro consolidou o riso como linguagem artística, ferramenta de crítica social e expressão identitária do povo cearense, reforçando o compromisso da política cultural estadual com a diversidade, a inclusão e a cidadania.

Reflexão, responsabilidade e política cultural

Abertura Seminário pra Todos Rirem – Jeny Sousa

Na abertura, a secretária da Cultura, Luisa Cela, destacou que o seminário sintetizou questões centrais para a política cultural do Estado. “O Seminário sintetiza questões importantes para a política de cultura do Estado, para o governo do Estado, para o que a gente tem construído, no que diz respeito à cidadania, aos direitos humanos, à afirmação positiva, da importância de que todas as pessoas se sintam bem. E para isso é importante um diálogo com a classe humorística para a gente construir uma reflexão sobre isso”, afirmou.

A palestra “Humor e Direitos Humanos”, ministrada por Haroldo Guimarães, abordou os limites e as responsabilidades da liberdade de expressão. “Quando eu falo de dignidade da pessoa humana, quando eu falo que a liberdade de expressão é limitada pelo direito das pessoas a usufruir dos direitos à vida privada, intimidade, honra, quando eu falo isso eu estou colocando um mosaico de responsabilidade que a Secult tem feito, tem realizado em seus eventos e tem disseminado em suas políticas”, destacou.

O humorista Moisés Loureiro ressaltou a importância do reconhecimento institucional do humor cearense. “O humor cearense já era reconhecido socialmente por todo o Brasil, mas agora ele recebeu também esse reconhecimento institucional, por parte do Governo do Estado. Isso é muito importante, porque torna oficial essa vocação que a gente tem para o humorismo”, declarou.

Ações afirmativas e enfrentamento ao racismo

Durante a formação sobre Políticas Afirmativas da Secult Ceará, Nivia Tôrres (Codac/Secult Ceará) aprofundou o debate sobre desigualdades raciais e responsabilidade criativa no humor. Ela enfatizou que a discussão sobre a implementação de ações afirmativas no Brasil surgiu, também  a partir do reconhecimento do racismo estrutural que atravessa a sociedade brasileira.

Em sua fala, mencionou o processo de “desarticulação da celebração da mestiçagem”, intensificado a partir da década de 1970, com foco na construção de uma identidade negra positiva e na recusa da mestiçagem como única fonte legítima de identidade. Também trouxe crítica sobre o projeto de branqueamento nacional, a repercussão da III Conferência Mundial contra o Racismo, o conceito de desigualdade racial e o mito da democracia racial.

Nívia apresentou ainda reflexões sobre racismo estrutural, relacional e de marca, destacando o chamado racismo recreativo e a necessidade de responsabilidade criativa no humor. “Não podemos confundir humor para todos rirem com violência racial”, pontuou, defendendo a revisão de termos e expressões historicamente retroalimentadas pelo racismo e a construção de alternativas conscientes que não reproduzam violências a grupos minorizados sócio-historicamente.

Formação e acessibilidade cultural

A programação contou ainda com formação em Políticas de Cidadania Cultural, conduzida pelo Instituto Dragão do Mar, e debate sobre Acessibilidade Cultural, com o Instituto Mirante, ampliando o diálogo sobre inclusão, participação social e fortalecimento de redes culturais.

Gratuito e aberto ao público, o Seminário “Para Todos Rirem” consolidou-se como espaço de escuta, formação e pactuação de responsabilidades, reafirmando o compromisso da Secult Ceará com políticas culturais alinhadas aos direitos humanos, promovendo um humor que dialogue com diversidade, respeito e transformação social.

 

Seminário pra Todos Rirem – Jeny Sousa