Secult Ceará por meio do Arquivo Público promove palestra e exposição “Cotidiano e Sagrado no Ceará Colonial” no Arquivo Público
23 de fevereiro de 2026 - 10:52

Secretaria da Cultura do Ceará, por meio do Arquivo Público do Estado do Ceará, realiza no próximo dia 26 de fevereiro, às 14h, no auditório da instituição, o evento “Cotidiano e Sagrado no Ceará Colonial”, que reúne palestra e abertura de exposição com o mesmo título. A ação integra o projeto “Arquivo, Conexão e Informação” e é aberta ao público.
A programação contará com palestra do professor Dr. Ronald Tavares, que propõe uma leitura decolonial sobre o cotidiano do Ceará nos séculos XVIII e XIX. A abordagem questiona narrativas historiográficas eurocêntricas e reconhece indígenas, africanos escravizados, forros e seus descendentes como protagonistas na construção da cultura e da religiosidade no período colonial, contribuições que permanecem inscritas no patrimônio material e imaterial cearense.
Na ocasião, também será inaugurada a exposição “Cotidiano e Sagrado”, que apresenta reproduções similares e réplicas de documentos históricos que tratam das práticas religiosas e de registros relacionados à Inquisição no Ceará Colonial. A mostra articula fontes do Arquivo Público com documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ampliando o diálogo entre acervos e perspectivas historiográficas.
Organizada em três eixos, a exposição convida o público a refletir sobre as múltiplas formas de interação com o sagrado. O primeiro núcleo, “Religiosidade e Materialidade”, evidencia como jóias, cruzes e objetos devocionais funcionavam como mediadores espirituais e patrimônios afetivos, muitos deles produzidos por mãos africanas, cujo protagonismo foi historicamente invisibilizado.
O segundo eixo, “Religiosidade e Organização Social”, destaca o papel das irmandades leigas, especialmente as de homens pretos, como espaços de solidariedade, pertencimento e construção de identidades coletivas.
Já o terceiro, “Entre Santos e Promessas”, aborda as negociações com o sagrado em momentos de crise, revelando práticas como promessas, legados pios e devoções às almas como estratégias de sobrevivência espiritual.
Com três núcleos sequenciais e oito expositores, a mostra utiliza ampliações de documentos históricos acompanhadas de traduções paleográficas e provocações decoloniais, incentivando novas leituras sobre a formação religiosa e cultural do Ceará.
A iniciativa reforça o compromisso da Secult Ceará com a preservação e difusão do patrimônio documental, promovendo o acesso à memória e o reconhecimento das ancestralidades indígenas e afrodescendentes na construção da história cearense.
Conheça o palestrante: professor Dr. Ronald Tavares

Pós-doutorando em Direito – Universidade Federal do Ceará. Doutor em História pela Universidade de Brasília (2024), com área de concentração em Sociedade, Política e Cultura e linha de pesquisa História Social e suas múltiplas formas. Mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (2019). Possui especialização em Arqueologia Social Inclusiva pela Universidade Regional do Cariri (2018) e em Direito Público pela Universidade Cândido Mendes (2010). Graduação em Direito pela Universidade Federal do Ceará (2007). Professor no curso de Direito do Centro Universitário Ateneu (UniAteneu). Servidor efetivo do Ministério Público do Estado do Ceará, tendo anteriormente exercido o cargo de Coordenador de Patrimônio Histórico do Município de Aquiraz – CE. Sócio do Instituto Museu Jaguaribano, Aracati-CE. Foca suas pesquisas, numa perspectiva transdisciplinar e interseccional, em temas atinentes às estruturas jurídicas, cultura, religiosidade, sociedade, família e cotidiano no Ceará Colonial, sobretudo no século XVIII.
Serviço
Evento: Cotidiano e Sagrado no Ceará Colonial
Data: 26 de fevereiro
Horário: 14h
Local: Auditório do Arquivo Público do Estado do Ceará
Realização: Secretaria da Cultura do Ceará por meio do Arquivo Público do Ceará
Projeto: Arquivo, Conexão e Informação
Entrada: Gratuita e aberta ao público
A programação inclui palestra e abertura da exposição com o mesmo título, organizada em três eixos temáticos, com apresentação de reproduções documentais e mediação decolonial.