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Mestres da cultura Espedito Seleiro e Pedro Balaieiro participaram da Roda de Saberes com Mestres e Mestras da Cultura
Ter, 18 de Abril de 2017 18:02

(Foto: Felipe Abud)

 

Na tarde desta terça-feira, 18, teve mais Roda de Saberes com Mestres e Mestras da Cultura. O tema foi "As mãos são artes, a cabeça imaginação", trazendo os mestres Espedito Seleiro e Zé Pedro, com mediação de Oswald Barroso. Os Agentes de leitura do Estado, que estão participando de uma programação especial na Bienal, acompanharam a atividade. O momento foi de muito aprendizado e emoção, com uma homenagem ao mestre João Evangelista dos Santos, o João Mocó, do bumba-meu-boi, de Granja, que faleceu nesta terça. Confira a programação da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará: http://bienaldolivro.cultura.ce.gov.br.

O secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos, fez a abertura da atividade. "Sejam bem-vindos a esse terreiro da cultura do Ceará. Todo dia, durante a Bienal, estaremos com os mestres e mestras da cultura do Estado", anunciou o secretário.

"Esse encontro com os mestres não acontece por acaso. Ele tem a ver com o tema da Bienal: "Cada pessoa, um livro; O mundo, a biblioteca", pois cada pessoa é composta de histórias, conhecimentos e saberes. E os mestres da Cultura são mestres dos tempos eternos, como diria a educadora Luiza de Teodoro. Eles,são bibliotecas vivas", comentou o gestor.

As políticas da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará para a valorização do patrimônio cultural também foram comentadas por ele. "Além dos escritores,  convidamos os mestres e mestras porque queremos valorizar o conhecimento desses mestres. Isso está dentro do programa Escolas da Cultura, que desenvolvemos. Estaremos realizando junto a Uece e a UFCA aulas com esses mestres, que recentemente receberam o título de Notório Saber concedido pela Uece. E estaremos realizando aulas e vivências para que as pessoas possam ir até o local dos mestres", ressaltou.

Momento de luto pelo mestre João Mocó

A abertura da atividade no espaço dedicado aos mestres e mestras da cultura do Estado foi também de luto, pela morte do mestre João Evangelista dos Santos, o João Mocó, do bumba-meu-boi, de Granja, que faleceu nesta terça-feira, 18/4. Ele foi homenageado pelo secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba, em nome do Governo do Estado. Após ler um histórico sobre o mestre, o gestor pediu uma salva de palmas a todos presentes na atividade, em homenagem a João Mocó. O mestre da cultura foi inscrito no Edital Tesouros Vivos da Secult no ano de 2006. Selecionado por uma comissão especial, recebeu o título de Mestre da Cultura Popular Tradicional, do Governo do Estado, no mesmo ano. A partir de então, veio participando do Encontro Mestres do Mundo, evento promovido anualmente pela Secult, com o objetivo de mostrar o saber tradicional e valorizar o artista popular.

Histórias de mestres

Dois mestres que trabalham com as mãos e fazem uma arte que já rodou o mundo. Um representa a serra, o outro o sertão. Zé Pedro, ou Pedro Balaieiro, de Guaramiranga, teve suas peças em cipó benzidas pelo Papa. Já Espedito Seleiro, de Nova Olinda, ganhou até mesmo o mundo da moda com sua arte em couro. Na roda de Roda de Saberes, eles contaram um pouco de suas histórias. Mas foi impossível saber tudo, pois, como diz Espedito, "Os mestres tem grandes segredos que a gente não sabe nem a metade".

Foi cobrindo vidro de cachaça com o cipó de imbé que Zé Pedro começou seu trabalho. Depois da experiência inicial, chegou a fabricar mais de 100 qualidades de peças, entre cestas, colares e cortinas de cipó. A tradição que carrega consigo, ele conta, é passada para seus filhos e para crianças."Tenho dois filhos trabalhando igual a mim, um em Pacoti e outro em Guaramiranga. Também  comecei ensinando em escolas essa arte", conta.

Já a arte de Espedito foi aprendida com seu pai. "Quando nasci, meu pai trabalhava como seleiro. Como sou o mais velho, aprendi com ele. Fui tomando gosto pela profissão. Teve uma época que quase parei de trabalhar com couro, porque apareceu outros materiais como borrachas, um material sintético. Teve uma época que,vi o couro se acabar de vez. Eu cheguei a comprar o animal, abatia, vendia a carne e curtia o couro pra transformar nas peças", comentou o mestre que, com o tempo, passou a dar cor ao couro e ganhar espaço no mundo da moda, tendo suas peças exibidas em grandes eventos de moda.

Para aproveitar o embalo, o mestre Espedito foi homenageado duplamente, com o lançamento do livro de Eduardo Mota "Meu coração coroado: mestre Espedito Seleiro", durante a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará.

 

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